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  • Elaine Weingartner

Bom senso e Finanças



“Você confiaria o cofre da sua empresa para alguém que não consegue controlar suas próprias finanças?” Essa foi a pergunta que fiz aos meus entrevistadores em um de meus empregos.


Acabei ficando com a vaga e ao longo dos quase 8 anos em que permaneci na empresa cuidei do risco de crédito da carteira, evitando, entre outras coisas, o envolvimento da empresa com um cliente que acabou entrando em recuperação judicial, outro que foi envolvido em uma disputa judicial e que crédito fosse dado a outras duas empresas que eram laranjas de empresários que tinham se envolvido com fraude no passado.


As principais ferramentas que utilizei para reunir informações, percepções e formular decisão de risco e de crédito nesses casos foram apenas: bom senso, prudência e experiência.

Nenhuma delas pode ser adquirida em MBAs, cursos, workshops ou livros.


Elas dizem mais sobre minha postura pessoal em relação ao dinheiro e às finanças pessoais do que aos cursos que fiz ao longo da vida.


Meu antigo e saudoso professor de Planejamento Estratégico na UFPR, Belmiro Valverde Jobim Castor, dizia que gestão era basicamente bom senso e que na faculdade aprenderíamos apenas ferramentas para exercitar e usar nosso bom senso.


Não me entendam mal. Assumir riscos é inerente aos negócios. A questão não aqui não é não tomar risco, mas ponderá-lo com acuidade. E a natureza particular de cada um conta, seja na forma como assumimos riscos financeiros em nossas vidas privadas seja quando o dinheiro é de nosso empregador/cliente.


Ao longo da minha carreira presenciei muita gente trabalhando na área financeira (ou de compras, gestão, etc. - enfim, envolvida com dinheiro) que, embora possuísse diploma sobre finanças tinha uma relação pessoal caótica com o dinheiro: compras por impulso, nenhum investimento, dívidas, uso de cheque especial, etc.


A pergunta que sempre me fazia era: porque suas empresas confiavam que o julgamento que faziam sobre dinheiro para a corporação era confiável, ponderado, ajuizado, etc., se na vida pessoal davam claros sinais de serem financeiramente irresponsáveis, deixando transparecer desorganização, impulsividade em suas decisões de compra, falta de planejamento e nenhuma ponderação de risco?


As estatísticas comprovam que no Brasil a maioria das pessoas não possui conhecimento de finanças pessoais ou não põe em prática mesmo quando o possuem.


Hoje já existem muitos aplicativos que ajudam as pessoas a controlarem melhor suas finanças, empresas buscam dar aos seus colaboradores palestras sobre o tema (eu mesmo dei palestras sobre finanças pessoais internamente em meu último emprego), há milhares de vídeos sobre o tema no YouTube, ebooks e reportagens nos jornais.


Entretanto, pelos anos que tenho dentro da área, nada disso funciona sem que haja uma mudança de mentalidade em relação ao uso do dinheiro.


Mais do que ler e aprender conceitos e ferramentas de gestão, usar aplicativos (que são válidos, claro) é necessário mudar a postura que temos com ele.


Disse que experiência, bom senso e prudência não se ensinam na faculdade e sigo acreditando nisso. Mas podemos sim mudar hábitos. E a partir de novos hábitos, o bom senso e a prudência financeira podem aflorar. Tanto para cuidarmos das nossas finanças pessoais quanto para cuidarmos do cofre de nossos empregadores ou clientes.


Leva algum tempo, mas queiram as empresas ou não, profissionais experientes são forjados em fogo lento.

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