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  • Equipe Lanton

Sobre Mad Skills

Atualizado: 22 de dez. de 2023


Foto: Danton Távora / Bravo! Fotografia


Mad Skills. Este parece ser o assunto da moda. Já me deparei com artigos sobre o tema. Há muitos na rede dando definições e explicando o que são afinal as tais mad skills, que estão relacionadas diretamente com os hobbies, interesses pessoais e experiências de vida. Portanto, não serei mais um a explicá-las, mas gostaria de contar minha própria relação com esse tipo de habilidade, que foi responsável por meu reconhecimento, ao longo dos anos nas empresas onde construí carreira, como um profissional focado, detalhista e curioso, com boa gestão de tempo e entrega dentro dos prazos.


Quem me conhece sabe que me formei em Administração de Empresas e segui carreira dentro do mercado corporativo, na área de Finanças. Ao menos a maior parte do tempo, pois tive um gap de 6 anos trabalhando em uma empresa de branding onde, além de fazer análise de dados e das tendências dos mercados onde os clientes atuavam, retirando insights, criando e estruturando conceitos para sugerir novos produtos e serviços, produzia textos e ajudava nas campanhas de marketing institucional dos clientes. Ou seja, fui a um só tempo Analista de Dados e de Novos Negócios e Copywriter, mas na época não havia estes cargos. Fui capaz de desempenhar com sucesso estas atribuições porque vinha da área financeira e tinha facilidade para encontrar padrões, discrepâncias e correlações entre dados aparentemente sem conexão entre si, mas que juntos apontavam tendências. Ao mesmo tempo sabia escrever e contar histórias (hoje chamamos de storytelling), porque era e sou viciado em leitura e escrita.


E aí entra o primeiro hobby: fui capaz de atuar como redator porque a leitura e a escrita sempre me acompanharam. Inclusive meu primeiro “trabalho” foi como “empreendedor” aos 8 anos de idade. Na época eu desenhava HQ em páginas arrancadas de meus cadernos de escola e vendia estas histórias para meus coleguinhas durante o recreio (desenhar é algo que ainda faço, esporadicamente). Com o dinheiro comprava novos lápis de cor, novos cadernos e alguma Coca-Cola, um luxo que só era permitido oficialmente aos Domingos, durante os almoços de família na casa de meu avô paterno.


Hoje tenho uma biblioteca que iniciei aos 21 anos e que, se não é vasta como a de verdadeiros bibliófilos como Manguel, Mindlin ou Eco, ao menos é vasta o suficiente com seus pouco mais de 1700 livros a percorrer assuntos dos mais variados: de História à Economia, da Filosofia à Política, da Literatura à Poesia, passando por Dramaturgia, Geografia, Negócios, Gastronomia, Matemática, Física, Ciências, Fotografia, Música e diversos outros temas.


Gostar de ler e escrever contos e poemas (e um dia quem sabe um romance?) ajudou-me a desenvolver duas coisas que não se ensinam nos cursos de Administração: a capacidade de expressão oral e escrita (sem necessidade de usar IA) e a capacidade de reflexão mais profunda, que APENAS A LEITURA te entrega. Além disso, ao escrever pude experimentar pela primeira vez a capacidade de atenção plena e de estado de fluxo, que hoje chamamos no mundo corporativo pelos anglicanismos “mindfulness” e “flow”, mas que não são privilégio nem de nossa época, nem de artistas.


Ainda sobre estado de fluxo ou flow: ainda adolescente, comecei a aprender violão com meus primos, todos mais velhos do que eu e verdadeiras enciclopédias sobre rock, blues, rythm’n blues, jazz, MPB, bossa nova. Dessa forma as guitarras entraram em minha vida. Para mim, tocar um instrumento musical é uma das formas mais rápidas de alcançar o estado de flow, desanuviar o stress do dia a dia e manter a saúde mental, em um mundo do qual você realmente PRECISA SE DESLIGAR de tempos em tempos.


Outro hobby que me ajudou ao longo da carreira: viajar. Não como turista e sim como viajante. Como viajante sempre procurei me inteirar da cultura local, comer onde os locais comem, comer o que comem, interagir com eles, ouvir suas histórias, fazer anotações de viagem. Essa forma de viajar e de genuinamente me interessar por outras culturas me preparou para interagir de forma espontânea e natural em times multiculturais nas multinacionais onde trabalhei. Viajar, como um verdadeiro viajante, ajudou-me a desenvolver a curiosidade sobre o que não me é familiar (e não o medo), a compreender melhor o mundo e criar conexões com diferentes tipos de pessoas. Viagens são como peregrinações laicas. Uma oportunidade de experimentar o mundo ainda não familiar.

Ainda sobre hobbies, por fim, em 1995, comprei uma câmera simples e de segunda mão de uma amiga de faculdade para realizar minha primeira viagem internacional. Queria fazer fotos, registrar o que visse, como qualquer outra pessoa que sai de férias para percorrer um destino diferente.


A diferença é que a fotografia também me pegou com força. Não houve jeito: de lá para cá foram dezenas de livros lidos sobre o assunto e até um curso profissionalizante na área. O fotógrafo se uniu definitivamente ao administrador de empresas, ao analista econômico-financeiro, ao viciado em livros, ao escritor e poeta de fim de semana, ao guitarrista diletante, ao viajante voraz, ao curioso costumaz...


À fotografia só posso agradecer. Ela ensinou-me a prestar atenção no mundo, nas pessoas e nas coisas; na luz, nas pequenas cenas do quotidiano, na Natureza, nas estações, nas cidades e ambientes. A fotografia é uma forma de meditação criativa que você faz perambulando.


Aliás a fotografia está se tornando cada vez mais reconhecida como uma busca consciente, na qual o cérebro é recompensado com muitos dos mesmos benefícios de uma meditação: ela exige uma prática imersiva; nos faz alcançar um alto nível concentração e liberta a mente temporariamente de sua turbulência usual.


Por isso é uma ótima forma de combater o stress, de preservar a saúde mental, de conectar-se com o que está à sua volta, de registrar a forma como você vê o mundo, uma maneira de desenvolver a criatividade e a cultura visual (cada vez mais necessária em uma sociedade que se comunica por meio de imagens e gera bilhões delas todos os anos).

Com a Fotografia aprendi a tranquilizar a mente. E uma mente tranquila olha a vida com clareza e foco. E foco é “estar onde você está quando você está”.


Após 29 anos no mundo corporativo, hoje, após um período sabático, de volta ao mundo do empreendedorismo, como consultor de negócios para PMEs, empreendedores e freelancers da indústria criativa e como fotógrafo profissional, tenho comigo que a fotografia pode ser uma ferramenta excepcional para desenvolver atenção plena, estado de fluxo e criatividade. E dessa certeza nasceu um novo projeto.

Mas isso é tema para um outro post.


Texto por Danton Távora: Fotógrafo, Instrutor e Consultor de Negócios para a Indústria Criativa.


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